domingo, 5 de dezembro de 2010
Os Burros na Rede
Aí pessoal, vcs ja observaram a quantidade de lixo existente no mundo virtual ? Poucas pessoas veem alguma coisa que presta aqui (digo internet), observando minha diguinissa namorada ou ex - já não sei mais - olhando sua bela conta no orkut e no baboo o cúmulo do cúmulo da ignorância, vendo pessoas falarem e disseminarem absurdo sem limites, eu me pergunto, até que ponto a internet é benéfica ? Bem depois percebi que a culpa não é da internet e sim da ignorância humana intrínceco a algumas (diga-se muitas pessoas) que a utilizam da pior maneira possível, já pararam pra pensar. Um belo exemplo disso foi visto nessas últimas eleições onde foram disparadas milhoes de mensagens caluniosas contra candidatos e os ímbecis vão alastrando este tipo de coisa sem ao menes checar o mínimo de verdade (é pra enfiar o dedo no cú e rasgar) outra coisa insana é aquelas correntes do tipo manda isso pra mil pessoas em um minuto, caso contrário vc vai pro inferno. Aí vc percebe pq tem tanta gente se fudendo na vida e ainda acha que é castigo de Deus ("é purque num fui na missa") enfim percebo a ignorancia sendo passado de pai pra filho nas várias esferas sociais perpetuando para eternidade os escravos.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
O ébrio
O ébrio
(Vicente Celestino)
Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita... E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio...Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecerAquela ingrata que eu amava e que me abandonouApedrejado pelas ruas vivo a sofrerNão tenho lar e nem parentes, tudo terminouSó nas tabernas é que encontro meu abrigoCada colega de infortúnio é um grande amigoQue embora tenham como eu seus sofrimentosMe aconselham e aliviam os meus tormentosJá fui feliz e recebido com nobreza atéNadava em ouro e tinha alcova de cetimE a cada passo um grande amigo que depunha féE nos parentes... confiava, sim!E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo entãoO falso lar que amava e que a chorar deixeiCada parente, cada amigo, era um ladrãoMe abandonaram e roubaram o que ameiFalsos amigos, eu vos peço, imploro a chorarQuando eu morrer, à minha campa nenhuma inscriçãoDeixai que os vermes pouco a pouco venham terminarEste ébrio triste e este triste coraçãoQuero somente que na campa em que eu repousarOs ébrios loucos como eu venham depositarOs seus segredos ao meu derradeiro abrigoE suas lágrimas de dor ao peito amigo
(Vicente Celestino)
Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita... E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio...Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecerAquela ingrata que eu amava e que me abandonouApedrejado pelas ruas vivo a sofrerNão tenho lar e nem parentes, tudo terminouSó nas tabernas é que encontro meu abrigoCada colega de infortúnio é um grande amigoQue embora tenham como eu seus sofrimentosMe aconselham e aliviam os meus tormentosJá fui feliz e recebido com nobreza atéNadava em ouro e tinha alcova de cetimE a cada passo um grande amigo que depunha féE nos parentes... confiava, sim!E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo entãoO falso lar que amava e que a chorar deixeiCada parente, cada amigo, era um ladrãoMe abandonaram e roubaram o que ameiFalsos amigos, eu vos peço, imploro a chorarQuando eu morrer, à minha campa nenhuma inscriçãoDeixai que os vermes pouco a pouco venham terminarEste ébrio triste e este triste coraçãoQuero somente que na campa em que eu repousarOs ébrios loucos como eu venham depositarOs seus segredos ao meu derradeiro abrigoE suas lágrimas de dor ao peito amigo
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